Mariposas e outros agentes que danificam as bagas da videira
08/03/2010 20:02:03
Com relação as mariposas, existe uma subfamília chamada Calpinae (foto) cujos indivíduos aprese
A condição climática deste ano favoreceu muito o ataque de doenças fúngicas, entre outras agentes que danificaram os parreirais e preocupou produtores. Para informar e orientar estes produtores, a equipe de pesquisadores da Embrapa Uva e Vinhos, elaborou um questionário com as principais duvidas.
1) Como acontecem os danos nos parreirais?
Os insetos e outros agentes que danificam as bagas da uva prejudicam a produção de duas formas: rompimento da casca com posterior extravasamento do suco e disseminação de podridões nos cachos.
2) Como agem as mariposas e os outros agentes?
Neste ponto é fundamental os produtores compreenderem o que está acontecendo no vinhedo. A presença de uma grande quantidade de mariposas nos cachos, principalmente à noite, não significa que elas sejam as responsáveis pelos danos nos frutos. As mariposas e borboletas constituem uma das maiores ordens de insetos cujo corpo e asas são cobertos com escamas (Lepidoptera). Elas são extremamente abundantes em determinadas situações podendo ocorrer aos milhares de indivíduos na fase jovem (lagartas) quando causam danos ao se alimentarem das folhas ou demais estruturas vegetais.
No entanto, na fase adulta a maioria das mariposas não possui aparelho bucal capaz de perfurar os frutos. Em outras palavras, a forma como elas se alimentam e o tipo de aparelho bucal das mariposas não permitem que elas rompam as bagas da uva causando prejuízos. No entanto, elas são atraídas para o vinhedo a noite em busca do suco que extravasa das bagas já rompidas em busca de alimento. O mesmo acontece com as abelhas que também não conseguem romper a casca da uva causando danos, no entanto, estas também se deslocam para o vinhedo para se alimentar. Por isso, é fundamental identificar o que esta causando o rompimento das bagas de uva (causa primária) no vinhedo resultando na atração deste grande número de insetos.
O que pode causar o rompimento das bagas:
Principais causas observadas são:
- Pássaros – tem sido uma das principais causas de rompimento de bagas na região
- Morcegos frugívoros, os quais se alimentam de frutas à noite
- Vespas
- Gorgulho-do-milho
- Mosca das frutas
- Excesso de chuvas, provocando o crescimento e rompimento das bagas
- Podridões do cacho
3) O que pode ser feito para controle?
Identificar a causa primária que está provocando o rompimento das bagas no vinhedo. Isto e fundamental de ser realizado pois é com base neste diagnóstico que será possível definir as estratégias de controle.
No caso do ataque de pássaros e morcegos frugívoros deve-se lembrar que os mesmos são protegidos por lei e não podem ser eliminados. Devido a importância destas espécies como causadoras de prejuízos a cultura da videira, o que os produtores de uva tem feito para evitar estes problemas é telar os vinhedos, inclusive nas laterais. Estratégias para espantar pássaros como foguetes, sons etc são úteis por um curto período de tempo, porém os pássaros se acostumam facilmente com o barulho e retomam o ataque.
Com relação a vespas, o produtor pode localizar os ninhos próximos ao vinhedo e destruí-los. Deve-se lembrar que vespas são excelentes predadoras de insetos que prejudicam o vinhedo por isto tal pratica deve ser realizada com critério. Algumas substâncias repelentes podem ajudar a evitar o ataque de vespas e posteriormente das abelhas com destaque para o nim (Azadiracta indica). Anteriormente empregado pelos produtores, o extrato pirolenhoso não é mais autorizado pela possibilidade de deixar resíduos de alcatrão no produto final. No caso das abelhas, proporcionar alimento alternativo principalmente plantas que florescem no período de frutificação da uva auxiliando a reduzir os prejuízos. Sugestões de plantas que fornecem alimento no período de frutificação da videira na região sul são o girassol e o trigo mourisco.
Para o gorgulho-do-milho, verificar a presença de paióis com milho próximo ao vinhedo realizando o controle da espécie nos grãos armazenados. Isto evitara o deslocamento destes insetos para o parreiral causando prejuízos.
No caso da mosca-das-frutas, a mesma tem sido mais prejudicial as uvas brancas. Utilizar armadilhas para monitoramento e focar o controle através do emprego de iscas tóxicas.
Com relação as mariposas, existe uma subfamília chamada Calpinae cujos indivíduos apresentam o aparelho bucal especializado em perfurar os fruto, sendo conhecidas como mariposas perfuradoras de frutos. No entanto, trabalhos conduzidos na região numa parceria entre a Embrapa Uva e Vinho e a Universidade de Caxias do Sul mostraram que 99% das espécies presentes nos vinhedos não são capazes de perfurar os frutos, sendo atraídas para o parreiral depois que as bagas foram rompidas por outras causas. Espécies como Ophisma tropicalis encontrada nos vinhedos da região é um exemplo de espécie que não consegue perfurar as bagas, somente se alimentando do líquido de frutos já perfurados. Por este motivo, é importante os produtores conhecerem o que esta realmente destruindo as bagas no vinhedo evitando atribuir as mariposas todos os prejuízos observados.
Em último caso, caso seja necessário reduzir a população de insetos no vinhedo, utilizar um inseticida registrado para a cultura, aplicado à tardinha, respeitando a carência (tempo entre a ultima aplicação e a colheita).
4) Outras informações importantes.
A safra de 2009/10, devido ao excesso de chuvas, resultou em redução na produção de flores e frutos de diversas plantas que servem de alimento alternativo para pássaros, morcegos, abelhas, etc, além de resultar em maior rompimento de bagas e na incidência de podridões do cacho. Isto tem levado a uma situação extrema de pressão destas espécies nos vinhedos em busca de alimento. Em anos de menor precipitação e melhor sanidade das uvas, a incidência e os prejuízos causados por estas espécies tende a ser menor evitando que se observe situações extremas como as registradas em diversos vinhedos da região.
A Embrapa Uva e Vinho tem desenvolvido diversos projetos de pesquisa visando minimizar os danos causados pelos insetos nos vinhedos. Outro ponto que esta sendo pesquisado é a incidência de nitidulidae, que são pequenos besouros associados a videira e que geralmente são atraídos e se deslocam para as bagas após as mesmas estarem em decomposição. No entanto, em laboratório, três espécies desta família (Lobiopa insulares, Colopterus e Carpophilus) conseguiram perfurar bagas íntegras das cultivares Itália e Cabernet Sauvignon, o que deve ser avaliado em condições de campo visando estabelecer estratégias de manejo caso este hábito de danificar bagas íntegras se confirme.
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